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domingo, 7 de agosto de 2011

Pra quê, gente?: Smurfs, o filme.


Quando a gente chega a certa idade, costumamos nos lembrar da infância e de tudo relacionada a ela com mais carinho que a racionalidade pede. Eu nem de longe sou uma pessoa saudosista. Lembro-me ainda muito bem das piores coisas da infância, da escola (que era um cenário bem mais desanimador que a dos filmes do John Huges), dos colegas falsos (aqueles que te ignoraram a vida toda e derepente surgem agradáveis e saudosos da sua companhia via facebook e Orkut, fala sério!), dos meus desenhos e brinquedos favoritos. Por essa razão que me pergunto: PRA QUÊ UM FILME DOS SMURFS?

Smurfs era o desenho mais ridículo da minha infância. E olha que “ridículo” é uma palavra de grande significado na década de 80. Praticamente define esse período por completo. Tudo de mais exagerado, cafona e tosco foi produzido e consumido sem pudor. Filmes e músicas muito legais também foram paridas, mas às vezes é complicado se lembrar delas em meio aos cabelões armados, as ombreiras e as mullets. Mas hoje a década de 80 está na moda e uma série de remakes estão saindo do forno, baseados no nosso saudosismo. Nosso? Meu não! Não entro numa fila de cinema nem muito menos comprometo minha péssima conexão baixando um filme como Smurfs.

O desenho dos Smurfs, na minha opinião sempre foi tétrico e porcamente produzido e animado. Os bichinhos, seres, sejam lá que diabo, eram irritantemente iguais, tirando a Smorfete e o Papai smurf. Algumas coisas estratégicas como lápis atrás da orelha ou óculos definiam alguns em meio à multidão. Isso me revoltava, ainda não sei bem o porquê. Agora pensem comigo sobre a natureza diabólica desse desenho: só tinha uma fêmea entre todos os Smurfs! A loira belzebud de salto-alto-no-meio-da-floresta Smorfete! Não estou aqui conclamando as meninas a se revoltarem contra o machismo (óbvio, vamos combinar), mas como eles se reproduziam? Era inevitável aquela pergunta safada: quem afinal pegava a Smorfete! Era o Papai smurf? Aquele velho comunista (era o único a usar vermelho, sabe Deus por que razão)? E o pesadelo só se tornava maior à medida que o Gargamel se apresentava! Não sei que solução eles deram no filme, mas se não me falhe a memória, Gargamel tinha intenções gastronômicas com os pequenos azulados personagens. Ele queria comer os pobres!

Bem verdade que a chatice do desenho era o que mais me irritava. Os Smurfs podem até ser fofos na visão perturbada de alguém que vive à base de remédios, mas na verdade eles não são nem um pouco bonitinhos. Essa não cola. No desenho eles já eram sem graça, um 3D não vai fazer milagre. Até aqueles esquilos que cantam, Alvim e os esquilos, são mais fofos que Smorfete e sua turma. Não posso negar que fofura se tornou um conceito complexo após a Hello Kitty e todos os personagens kawaii que chegam do Japão, mas mesmo na época em que Smurfs passavam na televisão, eu já os achava detestáveis.

O filme ainda conta com o ator Neil Patrick Harris, que pra mim ainda é o moleque de Tal Pai, Tal filho. Alguém se lembra disso? Eu me pergunto quem foi que disse a ele que ele era engraçado. Talvez a mesma pessoa que disse ao Rocky Dennis, digo, Russell Brand que ele podia ser comediante. Ainda não vi produção que me provasse o contrário e sinceramente, nem estou esperando por isso. Gargamel ganhou vida pelas mãos de Hank Azaria, que não é um ator ruím, pelo contrário, deve ser o único realmente engraçado na produção, mas a caracterização é tão ridícula que dá pena. Nem é pela produção de quinta, mas o personagem já é lamentável, nem o Rick Baker opera um milagre ali. Aquela moça de Glee também parece estar na produção, mas não posso afirmar, pois quando anunciava o teaser na tevê, eu trocava o canal. E que preguiça de recorrer o IMDB! Esse site merece respeito, não vou usá-lo pra pesquisar Smurfs...

Mas, queridos amigos, me parece que apenas eu tenho problemas sérios com os smurfs, uma vez que a bilheteria do filme foi muito boa e uma continuação já está agendada. Será que o saudosismo é o único responsável? A falta de criatividade e vontade de fazer dinheiro também são mãe e pai de um filme sobre um dos piores desenhos animados que já vi na vida. Agora é esperar um remake de Punky (Silvio Santos vai às lágrimas com um negócio desses) com Christopher Plummer como Sr. Bicudo ou um filme 3D dos Ursinhos Gumi. Se bem que um filme dos Silver Hawks ia fazer alguém aqui em casa bem feliz...

ATUALIZAÇÃO APOCALÍPTICA:

Queridos amiguinhos, foi confirmado uma continuação para o filme dos Smurfs. Se você, pessoa descrente e cínica, que ainda duvida do fim do mundo em 2012, já não pode mais ignorar os sinais!! Já era difícil de acreditar que Papai Smurf tenha desbancado o peitoral, digo o talento, de Chris Evans nas bilheterias, jogando o Capitão América na lona, mas agora o pesadelo se tornou real. The shit got sirius, em bom português. Eu sei que tenho participação nessa manifestação demoníaca, pois eu fiz por onde. No passado, quando era uma criança cheia de maldade, eu persuadi meu irmão de amarrarmos um barbante no pescoço do bonequinho do Papai Smurf que tínhamos (não sei de quem era o maldito boneco, mas eu o odiava, não só por ser pirata e mal feito, mas por tudo que ele representava) e descermos o infeliz até a janela do vizinho de baixo. Meu irmão, inocente, achava que era pra zuar o vizinho, mas eu já entendia o que era a forca nessa época. Resultado da peraltice: Papai Smurf acabou caindo das mãos de meu irmão e ficou lá, prostrado em meio os vasos de plantas da janela do vizinho. Nunca mais soubemos dele ou tocamos no assunto. Era como um segredo sujo, no estilo Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, no caso, o que vocês fizeram na laje. Hoje, o velho rancoroso e maldito ressurgue da tumba pra completar sua vingança macabra e me atormentar em infinitos teasers na forma de um filme em 3D. Aqui se faz, aqui se paga...